Diálogos, parte 1
- E aí? Como foi?
- Ah. Legal.
- Legal em que nível?
- Hm. 2 de 3.
- (?)
- Ele é um amor. Eu é que sou tonta demais. Quero impressionar e acho que acabo assustando.
- Nada em especial?
- Ele.
- Apaixonou, foi?
- De certa maneira... E é algo que sempre me assusta.
- Deixe acontecer... Não se pressione tanto.
- É... Eu sei disso. Mas fico achando que se ele não ligar, foi algo que eu fiz. Algo que, certamente, eu fiz errado. E nunca aprendo e o relacionamento nunca chega.
- Certamente vai chegar.
- Espero... E desespero. E há outras que realmente nada espero. Afinal, por que deveria? E por que é tão difícil mesmo quando é ao contrário? Quando não me interesso nem um pouco... Quando tento demonstrar e simplesmente não funciona?
- Eu sei... É complicado.
- Complicado? No meu caso acho que é muito mais que complicado. Trabalhar para mim sempre pareceu muito mais natural. Fixar novos objetivos, batalhar por eles. Parece tão simples. E ao mesmo tempo vejo pessoas com tantos problemas nessa etapa.
- Sorte no amor...
- Não, não é só isso, entende?
- (...)
- Calma, eu explico. Acho que nasci na época errada para cada parte da minha vida. No amor, sou de um estilo que já não se fabrica, que é quadrada, que crê em coisas básicas. Que só quer algo especial. Que só quer estar apaixonada. Que se o amor vier, que venha no maior estilo vida a dois. Que venha somar e multiplicar. Que seja honesto e fiel. Que espere o mesmo de mim porque é assim que sou... Já no trabalho, não podia ter nascido em época melhor. Vida digital, tudo que descobri amar ainda na adolescência. É simplesmente difícil separar as duas coisas. Ou talvez não seja. O momento é que não chegou.
(Para evitar mal entendidos: este texto descreve mais ou menos o que aconteceu num dia de agosto de 2006. O motivo de eu publicá-lo é que, apesar de na época eu ter mesmo estragado tudo, algo pode mudar agora... Vamos ver o que acontece! Continuarei escrevendo os detalhes até chegar "aos dias atuais").
