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janeiro 31, 2007

Diálogos, parte 1

- E aí? Como foi?
- Ah. Legal.
- Legal em que nível?
- Hm. 2 de 3.
- (?)
- Ele é um amor. Eu é que sou tonta demais. Quero impressionar e acho que acabo assustando.
- Nada em especial?
- Ele.
- Apaixonou, foi?
- De certa maneira... E é algo que sempre me assusta.
- Deixe acontecer... Não se pressione tanto.
- É... Eu sei disso. Mas fico achando que se ele não ligar, foi algo que eu fiz. Algo que, certamente, eu fiz errado. E nunca aprendo e o relacionamento nunca chega.
- Certamente vai chegar.
- Espero... E desespero. E há outras que realmente nada espero. Afinal, por que deveria? E por que é tão difícil mesmo quando é ao contrário? Quando não me interesso nem um pouco... Quando tento demonstrar e simplesmente não funciona?
- Eu sei... É complicado.
- Complicado? No meu caso acho que é muito mais que complicado. Trabalhar para mim sempre pareceu muito mais natural. Fixar novos objetivos, batalhar por eles. Parece tão simples. E ao mesmo tempo vejo pessoas com tantos problemas nessa etapa.
- Sorte no amor...
- Não, não é só isso, entende?
- (...)
- Calma, eu explico. Acho que nasci na época errada para cada parte da minha vida. No amor, sou de um estilo que já não se fabrica, que é quadrada, que crê em coisas básicas. Que só quer algo especial. Que só quer estar apaixonada. Que se o amor vier, que venha no maior estilo vida a dois. Que venha somar e multiplicar. Que seja honesto e fiel. Que espere o mesmo de mim porque é assim que sou... Já no trabalho, não podia ter nascido em época melhor. Vida digital, tudo que descobri amar ainda na adolescência. É simplesmente difícil separar as duas coisas. Ou talvez não seja. O momento é que não chegou.

(Para evitar mal entendidos: este texto descreve mais ou menos o que aconteceu num dia de agosto de 2006. O motivo de eu publicá-lo é que, apesar de na época eu ter mesmo estragado tudo, algo pode mudar agora... Vamos ver o que acontece! Continuarei escrevendo os detalhes até chegar "aos dias atuais").

dezembro 28, 2006

Você pode não estar interessado(a)...

Mas pensei em escrever sobre como eu escrevo. Uma meta linguagem boba, de horas sem pessoas e pessoas sem horas. Ok, talvez não o último.

Só que as palavras pra mim — e desde os tempos mais remotos do gH, 2003, e antes dele o blog "sweetgrace" (SHAME!) no kit.net/blogger, — elas, as palavras, raramente vêm do papel. Sim, elas nascem digitais. E eu achava que com todos era assim! Mas alguém que eu não falava há tempos me disse que com ela é diferente. O que trouxe determinado interesse meu no assunto.

Sozinha, escrevendo no último dia 26, momentaneamente desencantada da vida e sentindo grande falta dos dias anteriores (com casa cheia), notei uma depressão inoportuna naquelas palavras. Além da certa depressão, havia falta de coragem. Que atípico, pensei.
Algo irrompeu o silêncio daquele final de tarde... O telefone! Uma amiga, que eu não via há meses, ligou dizendo que vinha me visitar dentro de uma hora. E foi muito bom! Essas coisas são mesmo curiosas.

Voltando...

Um dos meus grandes problemas é ser sentimental. Sempre achei isso. E se não for? E se eu parasse de me punir por isso? Se parasse, por um momento, de me sentir fraca exatamente por sentir? Parar de achar que para ser forte tenho que ser amargurada e insegura...

Engraçado como as palavras vêm. E ficam perdidas numa área de trabalho, ocultas e tão minhas. Não sei se o melhor para elas, e para mim, seria publicá-las. São tristes demais, apesar da poesia do momento. Elas falam sobre o que poderia. E poderia? Uma possibilidade remota, esgotada antes de ao menos estar à disposição.

agosto 12, 2006

Eu não podia mesmo ser uma pessoa normal...

Buenas!

Eu não podia mesmo ser uma pessoa normal. Meu pai lia o Analista de Bagé para mim quando eu tinha oito anos. E desde então nunca mais esqueci a Teoria do Joelhaço muito menos os “baguais”. Coisas da vida, como o noivo “Varum” que vivia de capacete e não o tirava nem para dormir. Coisas da vida como a Velhinha de Taubaté... Sim, eu li. Estava no Colegial e não entendi pindaíba. Até que contextualizei e finalmente achei graça. A Velhinha de Taubaté também não morreu pra mim, aliás, está vivinha. E, claro, ainda acredita nos comunicados oficiais do Governo.

Mas houve uma hora que me apaixonei por Machado, sim, o de Assis. E essa coisa de bastilha da razão humana. Casa verde e a neurose de saber quem e o que está certo. E se honestidade é loucura.

Um dia, também, junto com meu amor a LFV e Machado, veio o amor a um francês, piloto de guerra, desaparecido com seu avião no mar e com grande amor a uma rosa. A rosa que ele relatava ter um relacionamento cheio de espinhos. Gosto de lembrá-lo também, como aquele que desenhava sobre aventuras na selva, mas em sua arte as pessoas não viam mais que um torto desenho de chapéu. Este era Antoine-Marie-Roger de Saint-Exupéry. O eterno Pequeno Príncipe.

E mais tarde houve Shakespeare. E seus sonetos. Alguns, quase desconhecidos do grande público, falando de solteironas. Extremamente machista em sua métrica. Mas não menos admirável do que nas conhecidas tragédias.

VIII
Por que ouves tu música tristemente?
Aquilo que doce é, com o doce não briga, a alegria puxa alegria,
Por que tu amas aquilo que não te causa alegria?
Ou porque recebes com prazer aquilo que te enfada?
Se a harmonia de sons bem combinados,
Em sonoras uniões, ofendem tua audição,
Eles só amorosamente estão a ralhar contigo, que confundes
As partes que todas unidas a ti deveriam estar.
Veja como um acorde, lindamente casado ao outro,
Bate cada qual contra o outro em harmonia mútua;
Parecendo homem, mulher e filho,
Que, todos juntos, nota bela cantam:
Cuja canção sem palavras, sendo muitas, parecendo uma só,
Entoam para ti o seguinte: “Tu, sozinha, nada serás.”

(Shakespeare, Sonetos, VIII)

E um dia, também, aprendi com psicanalista de Bagé a não procurar meu verdadeiro eu nos outros. Epifanias em um livro de humor? Claro! Por que não?

(Por Grace Athayde em 12 de agosto de 2006, por volta da meia noite, para descrição de seu perfil no orkut).

julho 30, 2006

Temperatura da memória...

Minutos e minutos tentando acordar, em meio ao frio que me acorrenta à cama, finalmente coloco os pés no chão para dizer bom dia ao espelho...

Realmente não é fácil acordar (super) cedo domingo. Especialmente quando este domingo marca 4° C no termômetro. Nada tão apavorante quanto a chuva de granizo de apenas dois dias atrás. O suficiente para titubear alguns minutos...

E seguimos viagem.

As paisagens são ainda mais lindas no céu de nuvem alguma. Campos, pastos... Particularmente acho lindo ver o arroz plantado, naqueles lagos feitos pelo homem. E os outros campos, ainda desidratados, em preparação para o plantio. É lindo.

E é nesse tipo de momento que você nota: o frio já não incomoda tanto. Mesmo acostumada com o típido calor-quase-40°C-todos-os-dias desta cidade sulista...

Alguns não acreditam quando digo o calor que faz nesta cidade normalmente. É engraçado viver os dois extremos...

Um par de memórias me acompanha em dias assim. De pessoas, de lugares. É uma paz e é uma inquietude... Que não passa.

É o frio que congela os dedos e queima lembranças... Opostos que se olham e se desafiam. Não quero que vá e não quero que fique [o frio].

E na minha indecisão relembro os versos de primavera... Sutis e desejados.

junho 24, 2006

Meus sonhos. Literalmente.

Eles vêm para mostrar o que eu não tenho. E queria... Mas um queria há muito distante... Um queria que eu teimo em dizer que já não quero.

É crueldade. Porque é... É melhor ficar sozinha. Um alguém sem coração doado. Sem problemas do tipo "O que eu vou vestir para encontrá-lo hoje?". Maldade! Maldade voltar a pensar nisso seriamente! Maldade querer...

Toda aquela atmosfera... Ficou aqui depois do sonho. Eu não queria conversar com ninguém, não havia motivo ou discurso, frases prontas.

Parte da minha base sólida se foi, pelo menos por essas horas.

E esses pensamentos me lembram tanto a letra de "Original of The Species", especialmente um dos prelúdios:

"I'll give you everything you want
Except the thing that you want"

Será que é certo querer? Sentir que de repente, ele... Ele que me fez pensar duas vezes se era necessário ficar sozinha. Ele o único. De verdade.

maio 13, 2006

Precisa-se de alguma arte


"Quanto silêncio!"

"Não gosto..."

"Do silêncio?"

"Não. De notícias indigestas no silêncio..."

"Ahh...?"

E foi fuçar as revistas antigas. Anos 60, Revista Seleções, leu sobre A Arte de Repousar. O texto começava assim:

"O homem moderno precisa aprender a destruir as tensões da vida diária, do contrário as tensões o destruirão."

Ao lado uma peça publicitária: "2 vêzes a lotação do Maracanã! 340 mil proprietários já provaram: FORD é investimento garantido."

Riu por dentro e voltou a ler as notícias indigestas.

abril 26, 2006

Situações Contidas II

Foi há um par de meses. Uma parte, mesmo pequena, foi levada. É como dizem os versos Quintanares:

"Da vez primeira em que me assasinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha..."

Você não vê, por dentro, o chacal, o ladrão da estrada que se tornou... Acha normal, corriqueiro, cultivar sentimentos e não ligar...

E quando decidi te afastar da minha vida, eu te disse para ir, você foi... Por que voltar? O que ganha com isso?

Querido, o quanto eu te amei... O quanto continuei amando por dias e dias, acordava sem parte do mundo... Meu primeiro amor terminara antes de começar.

Mas tive que ver! Você não foi nada do que deveria. Nunca foi meu amigo, nem companheiro. Usou de mentiras, falseou... O que quer mais? Que eu retribua um Feliz Páscoa sem sentido? Que eu releve? Que eu ESQUEÇA?

Você me escreve como se nada tivesse acontecido. Depois do ponto final: nenhum orgulho próprio. Você me decepciona ainda mais.

Não é possível. Os meses podem passar, você pode tentar de vez enquando, mas aqui... A paciência cessou. Comigo você é superficial demais...

abril 22, 2006

A Desculpa da Distância

Você culpa a distância,
Você desculpa seu descuido,
Você não ouve quando eu peço...

Você volta sem pedir permissão,
Você me pede atenção em datas banais,
Escreve poucas palavras que não emocionam:
Escreve por escrever e pergunta "por que não?"...

Previsível mas ainda surpreende...
Por que surpreende?
Já passou da hora,
Do tempo,
Da validade,
Expirou a amizade,
O carinho,
Não sobrou nada aqui...
E nada comigo: é nada.

abril 18, 2006

Situações Contidas

Você chega e eu, ainda surpresa, observo.

As memórias sempre vêm. Inevitável. Fixa em seu olhar, eu queria desvendar o poder das suas mãos procurando as minhas... Um gesto simples. Um sensação difícil de esquecer.

Ainda difícil de acreditar que você voltou. Não sei o que sentir. Você diz estar perdido... Recordo que nunca soube a verdade sobre você... Que é possível que o 'você' que eu conheço nem mesmo exista. Mas isso não me impede de ouví-lo...

E você diz coisas bonitas e sem sentido como sempre. Eu ouço. Mas há algo errado. Resolvo não filosofar aquele momento, deixar passar... E você fala... Cada vez entendo menos! Admiro por um instante sua insistência... Chega a ser engraçado lembrar das suas palavras... "Você foi a pessoa mais especial que eu já conheci"... Continua tão superficial quanto agora... Páro com os devaneios e você explica seus motivos de maneira digna...

Começo a olhar em seus olhos fixamente. Você quer dizer algo importante... Digo que pode continuar e de repente...

Acordo. Era um sonho...

Mas o e-mail, que eu não vou responder, continua lá.

março 21, 2006

Palavras Categóricas

Sorte de hoje:
Palavras categóricas e ásperas são sinal de uma causa infundada

(Orkut é realmente de uma profundidade visceral, quando quer, certo Emily?!)

Fico tão emocional após assistir Alguém tem que ceder. Pode ser pretensão minha pensar que esse filme conta muito do que sou... Mas ainda assim eu penso. E digo-lhes (minhas palavras*):

Apesar do mar não ter mais falado sobre suas ondas, não quer dizer que não tenha sonhado com elas. E de tantos pensamentos... Alguns ambíguos... Muitos em diferentes direções... Muitos além do oceano... Muitos a apenas alguns quilômetros... Nunca tão perto. E sempre tão fora de alcance...

Tenho medo das minhas palavras e das minhas confissões. Tenho medo de ter medo e ainda mais de falar a respeito... Não tenho alguns objetivos que, na ingenuidade, acreditei.

Tenho respeito pela menina que sonhava um dia com o vestido branco. Mas sei que eram só sonhos. Não sou eu.

Disse isso tudo para dizer algo que há muito tempo eu penso. Nunca me casarei. Isso é fato. E já que entendo que namoro e etc são para o casamento... Poderão entender o que isso realmente quer dizer.

(E, por favor, não me aconselhem a virar freira!)

*Sobre as palavras serem minhas... Cheguei a filosófica conclusão de que não posso me apoderar delas. Ou seja, são meus sentimentos, é o meu momento criativo, mas as palavras... As palavras são livres e ninguém deve se apoderar delas. E aquelas formações de palavras... Algo sobre ontem e hoje, sobre os últimos meses e sobre os últimos dois anos. É sobre pessoas, é sobre sentimentos, sobre distância, é sobre palavras na distância. É sobre palavras... Enfim, palavras sobre palavras. Profundo, não? Tenho certeza que muitos vão entender what I mean. O triste é que os muitos que eu queria... Não entenderão.

março 3, 2006

Ponto Final

Eu acho imensamente interessante como em algumas situações na vida, assim como frases e orações, é necessário o ponto final. Um GRANDE ponto final.

É difícil? Sim. É complicado? Com certeza! Mas há situações que praticamente exigem isso de você e ainda exclamam em caixa alta, fonte vermelha e, como se não bastasse, piscam para ressaltar: NÃO REPITA O ERRO!!!

Não saia com o erro, não seja amiga do erro, não troque e-mails com o erro, não mantenha o telefone do erro na agenda e nem o email no catálogo de endereços. Apague, delete e resete. É o melhor a fazer quando o erro, do erro, é relacionado a mentiras e jogos com os SEUS sentimentos.

Eu perdôo de coração. Sério. Mas procuro me proteger para não ser vítima do mesmo erro, até porque eu não gosto de ser vítima. Esse papel não fica bem em mim, não mais. Cansei. Acredito que há momentos na vida que simplesmente entendemos isso... Passamos de vítimas à pessoas que superaram e pronto!

Quanto a mim procuro fazer o que é certo, procuro não magoar as pessoas, tenho CONSCIÊNCIA — o que acho o mais importante.

Sim, sim, é bastante óbvio e subjetivo ao mesmo tempo, mas vou fazer o quê? Não mandei o erro errar! Agora o erro que aceite as consequências do seu próprio erro! Deus, e quem me conhece, sabe que eu tenho paciência de Jó! — Não. Talvez Jó fosse mais paciente! (hehe) — Mas é verdade que eu tenho muita paciência para os dias de hoje :)

Estou levando para o lado do humor e com certeza fazendo maior do que é, mas é só porque estou de bom humor. Muito bom humor!

Então pra terminar, uma dessas pérolas que eu fiquei admirada comigo:

É PONTO FINAL E NÃO RETICÊNCIAS!

janeiro 13, 2006

Quando as borboletas fugiram...

Eu sabia que elas fugiriam. Como quando eu aparento ter controle das minhas ações, mas não tenho idéia do que estou fazendo... E pensar nas palavras ditas e não ditas, no quanto o silêncio explicou.

É querer resgatar as borboletas. Te procurar... Porque deixa assim, vai passar... Da mesma maneira em que vieram, entraram janela adentro sem barreiras. Elas foram embora e me deixaram. Mas não igual ao início. Pois isso seria impossível! De algum modo o seu bater de asas, o seu colorido vai estar lá. E eu sei que, vez ou outra, eu vou cair na saudade e perguntar onde elas estão...

Terei vontade de correr, de sentir o que era a presença de tão amável criatura. É aí que pensarei. E saberei que foi o melhor. Não guardarei mágoas nem sentimentos ruins. As borboletas simplesmente foram, e das memórias que guardei... A melhor será a do que nunca foi.

janeiro 10, 2006

Indas e vindas; volta-se para o céu e faz um desejo.

Olhou para o céu. Tudo parecia similar. Não sabia o que sentir, o que pensar. Retomou o vazio do que antes não era... E era? Era uma alegria contagiante! Mas passou, aos poucos, passou. Estava só lá. Pensava nos porquês. Por que sempre pensava nos porquês?

A reclamar do tempo, enquanto o tempo a curava. O caminho sozinha talvez fosse mais fácil agora. Agora que sabia como era o caminho quando diferente. Agarrou-se aos seus objetivos, mais uma vez, e juntou toda a força para engolir o choro.

Havia amanhecido o dia pela metade em muitos sentidos. A chuva caia por dentro. Ela procurava fugir... Abstrair-se! Ser meio onipotente e deletar o que incomodava.

"Engraçado" — pensou. Justo quando acreditara que seguiria o caminho, sozinha, alguém se aproximou para tomar-lhe o coração novamente. E por quê? Que raios de porquês!

Mas a diferença, a vital diferença, dessa vez era um certo otimismo. Um senso de humor perdido, por todo lugar, que não deixava de consolar.

Firme a sua decisão, ela voltou para sua vida e deixou o que incomodava para trás.

setembro 9, 2005

Da Honestidade

Ela anota no caderninho de compras:

Ítem de grande importância: Honestidade

E sublinha duas vezes.

Então começa novamente a epifania. Honestidade seria um grande tesouro para presentear... -- diz. Rapidamente, pensa em quem presentearia.

É honestidade uma utopia? Lembra-se, então, do esforço que consiste não ser corruptível. Um exercício diário. Sentenças de períodos curtos se formam e ela tenta parar de pensar.

Honestidade em tudo. Nos relacionamentos. No trabalho. Na arte. No trânsito. Entre pais. Entre filhos. Entre amigos. Entre irmãos. Entre colegas. Em tudo que consiste viver em sociedade.

Sentiu-se decepcionada ao ver a utopia.

Mas não menos encorajada a continuar a não aceitar esse tipo de desvio. Sublevou-se mais uma vez. Como nos textos que mostrava ao professor de História em época de vestibular. Como nas horas de reflexão dos dias livres.
Como ainda acreditava e tentava passar aos que conhecia:

É lindo ser único. Mesmo que as pessoas não o considerem o quanto gostaria que considerassem. É lindo ter sentimentos bons, mesmo que tudo à volta lhe diga que não. É lindo aceitar que errou, levantar-se e seguir um caminho totalmente novo.

É belo e honesto: ser verdadeiro!

agosto 19, 2005

Furta-me o sonho...

Eles estão por toda parte. Se infiltram e agem naturalmente. Há os distintos, há os comuns. Ninguém nota, ninguém vê... Um dia alguém observa mínimos detalhes: a verdade obscura que lhes preenche.

Eles negam. Mas sabe-se que não admitem. E negam, e negam, e negam. E continuam sua jornada: roubando sonhos, copiando sonhos... copiam a experiência alheia, tomando-a como própria.

Mentira infantil... arte descartável. Pecam contra si mesmos, pois o artista se supera, o fraudulento se envergonha.

E quando se pensa que há a consciência, não há. Observa-se nas novas safras, nos trabalhos copiados... na alergia de gastar tempo e aprender... Tempo precioso, por que não vêem?

Roubar sonhos parece-lhes doce. Cultivar sonhos... Para quê? - diriam.

Pobres. Pobres. Pobres em dignidade...

E subleva-me. Que vem de sublevare, palavra Latina já presente em tantos dos meus poemas... desde a rebeldia do amor até poesias que consistiam momentos decisivos.

(Pausa para nostagia)

De uma certa forma estou decepcionada. Não-triste, não-alegre. "Indo" - como diria o David. Guardo uma expectiva de anos. E acredito: dessa vez eu desisto. Ele não vai responder.

Resta-me o consolo de minhas teorias. Teorias. Será tão mau ficar só na teoria?

(Um tempo depois)

Já notaram minha capacidade para mudar de assunto no mesmo texto? :P

agosto 10, 2005

Idades

Quando somos crianças temos tantas ilusões bonitas. E não falo de Papai Noel, Coelhinho da Páscoa ou Fada do Dente - até porque eu nunca acreditei em nenhum desses - temos uma ingenuidade, a chamada crença nas pessoas. E como machuca ver que as coisas não são bem assim, não é mesmo?

Numa dessas tantas conversas comigo, cheguei a conclusão, mais uma em tantas outras vezes, de que não adianta se fechar na concha (só um pouquinho!). Esse blog é um exercício de uma menina tímida, que volta e meia se arrepende, e se orgulha, e se concentra em mantê-lo.

E que gosta imensamente de ver pessoas que realmente se interessam por suas palavras, reclamando sua falta de zê-lo. Seria injusto listar uns ou outros. São todos os que dizem algo, por palavras ou por smilies no msn.

Mudei o design. Não era pra ficar nem dois dias (huahuahua), muito simples só mesmo para me possibilitar alterar a estrutura do site. Estrutura alterada em quase 90%, decididas algumas outras particularidades. Só preciso de cores! C-o-r-e-s! Até breve!

julho 31, 2005

Eu não quis acreditar...

Ele queria voar. Ele queria morar nos Estados Unidos. Dizia que moraria no estado do Arizona, em um lugar perdido, onde ele não precisaria trabalhar muito... e ganharia muito dinheiro.

Era bonito vê-lo falar. Era ainda melhor vê-lo sorrir. Não se esforçava muito para nos fazer sorrir também. E eu me sinto culpada por transformá-lo em um texto.

Sempre haverá vestígios de sua presença em todo lugar. Lembranças de dias bonitos. Lembranças de seu jeito, da alegria que, admiravelmente, sentia porque seria pai. Eu como todos, achava que teria tempo, e que ainda era cedo.

Que ironia.

Realmente nunca se sabe o dia de amanhã.

Sabedoria reafirmada por Shakespeare. Deveríamos ler ou ouvir "Depois de algum tempo", pelo menos uma vez ao dia.

E se fosse ambicioso demais, uma vez por semana. Antes de ser tarde. Talvez assim parassemos de acreditar que somos para sempre, que teremos tempo...

E eu não quis acreditar. Até ler a notícia e desabar. Eu não quis acreditar.

E soa tão fútil fazer rimas agora. Mesmo sem querer. Ele vai fazer falta... É muito ruim ter um categórico "não" sobrescrevendo a imaginação de vê-lo outra vez. É ruim demais...

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Eu pensei em fechar os comentários... acho que ninguém deveria se sentir obrigado a comentar sobre isso. Eu estou bem. Escrever aqui ajudou muito a aliviar os sentimentos... Obrigada Juh pelo apoio, por me ouvir. Obrigada papai por chorar comigo...
E agradeço a todos pelo carinho :~

julho 28, 2005

A saga do hiatus

"(...) Nada melhor do que voltar e pertencer." — escreveu Emily. E eu me encontrei tanto no texto dela... trouxe-me uma epifania. Uma dessas que faz pensar o porquê das coisas.

Vivo um momento lindo e intrigante. Lembro-me, inclusive da caligrafia, da frase que entitulava um texto, datado de dois mil e três, no qual eu dissertava uma conversa: comigo.

Não era falta de um diálogo. E sim o recorrente "Conhece-te a ti mesmo". Assim como Neo, eu quero saber o porquê e as consequências de minhas escolhas... mesmo tendo pensado tantas vezes que seria melhor não escolher... Não adianta fugir. Não adianta tirar tudo do ar. Há uma necessidade imperial, que se deixe desabrochar. A rosa não seria tão linda se, de repente, abrisse em um segundo ;)

Tento aqui descobrir um motivo que faça isto não desabrochar. Seja lá o que isto for. Blog, weblog, diário...

Dispo-me (ai!) de meu perfeccionismo. E volto. Sem trocar o design, com as pastas mais bagunçadas do que em 4 de julho. Mas volto... e canto um mantra (!) pra me fazer entender que, importantes são as palavrinhas. (Concentração Grace, concentração!)

Tenho novidades, mas fica para a próxima :)

Agradeço a todos que pediram para que eu voltasse. Não que seja a intenção, mas é bom ver o carinho de vocês. Especialmente Juh, Lia, Emily, Marya, Rafael, Sarah... e a mente não ajuda mais. Depois coloco os links :D

"(...) Nada melhor do que voltar e pertencer."
E depois dessa frase Emily, eu me encontrei. E quis voltar a pertencer. Obrigada =*

junho 23, 2005

Desilusões e Escolhas Celofane

Em nossa última conversa, eu estava a falar da Senhora Celofane...

Nos últimos dias comecei a pensar sobre o que ela tem dito; ela costumava dizer que queria se casar, filhos e toda aquela coisa clichê. Mas ela parou. Foi algo gradativo.. acho que nem percebeu. Eu percebi. E fiquei pensando.. o que a fez mudar de idéia? Será que não me contou? Será um segredo? As poesias dela já não pululam a mesa da sala, as folhas perfumadas e as pastinhas sempre organizadas. Vislumbro-me à cativa idéia de que ela guarda um segredo. Então perguntamos: que segredo?

Impossível no momento dizer. Ela parece tatear no escuro entre um casal de escolhas. Há sempre a terceira alternativa... interessante como ela parece utilizar-se do amnéstico... aliás! O amnéstico! Alguém aí lembra do amnéstico?!

Serão poucos os que lembrarão. Eram poucos os que prestavam atenção à época. Ela era só uma criança... a verdade é que continua, na essência. Ela só cresceu. Não é a Rosa do Pequeno Príncipe. Não vê com os olhos de Saint-Exupéry. Não mais...

Também dele ela, com efeito, desiludiu. Não concebia o "fato" de sua morte não ter sido acidente. Não poderia ele... ele que a ensinou a querer ver, ele que escrevia cartas como ninguém... Ela então, desacreditou no que lia.

Foi aí que parou de escrever. Desacreditou no que lia.

junho 13, 2005

Sra. Celofane

Hoje eu vou escrever sobre uma pessoa. Ela nunca foi a mais simpática, ou a mais extrovertida que eu já conheci. Mas ela faz o melhor que pode. Ela é feliz, mesmo pensando não ser... mesmo havendo tantas coisas que ela esperava... Ela esperava.

Ah! Ela quer ser escritora. Mas como se muitas vezes ela teme a reação das pessoas ao saber o que ela pensa?

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novembro 12, 2004

Against the things I'll leave away...

Fazer escolhas é uma tarefa tão difícil quanto amadurecer. Fazer escolhas importantes e responsabilizar-se pelas consequências é amadurecer. Fazer escolhas, que influem no curso da vida, é como atirar-se em um oceano do qual você não vê mais de um metro à frente.

Eu só espero estar fazendo as escolhas certas. Pois, às vezes, parece mais fácil não escolher.